Existe um movimento de pais, que defende com muita sabedoria o direito de nossos pequenos não serem agredidos e manipulados pela publicidade voltada ao consumismo e, na medida do possível, tenho acompanhado algumas divulgações - e tentado me engajar nesse projeto.
Bom, confesso que não sou nenhuma 'bandeira anticonsumismo ortodoxa', contudo, sempre me senti um pouco incomodada com certas propagandas, assim como com o fato de desenhos e filmes serem lançados, mais com o propósito de vender produtos, do que divertir e educar as crianças. Então, de uns tempos para cá, tenho tentado, me conter e comprar somente aquilo que é necessário, dar exemplo propagar e defender ideias que julgo justas e possíveis!
Bom, fazendo uma revisão no meu comportamento enquanto mãe, dona de casa e profissional, posso dizer que abrir mão de certas coisas, não foi tão difícil quanto parecia. Para começar, tento minar o mal pela raiz, ou seja, parar de achar que eu, minha filha e minha família 'precisamos' disso ou daquilo, só por que a maioria das pessoas conduzidas pela mídia diz que precisamos!
Por exemplo, há algumas semanas li em um blog uma crítica sobre a famosa 'lista de maternidade' [compras que as mães devem levar para a maternidade quando vão ter o bebê]. Claro que eu dei boas risadas lembrando dos absurdos que me obriguei a comprar, achando que minha filha não sobreviveria sem 'isso', ou pior, sentindo pena dela por não ter uma ou outra coisa material - que meu dinheiro não pôde comprar. Mas sabe quem implodiu esse tipo de pensamento na minha cabeça? Minha própria filha! Percebi que ela até deseja os brinquedos da moda, mas diverte-se muito mais com jogos feitos com sucata e material de artes e que os brinquedos que ela mesma produz passam dias em suas mãos e que ela se sente muito orgulhosa do próprio feito.
Outro exemplo é a linda [lindíssima mesmo] propaganda de uma famoso parque nos EUA, que induz os pais a pensar que se você não leva seu filho[a] lá enquanto criança, o mesmo vai perder a única oportunidade de viver um conto de fadas 'de verdade'. Claro que eu me senti uma péssima mãe por nunca ter levado a minha princesinha ao castelo encantado 'de verdade', mas eis que um dia a levo em um parque daqueles mais 'pobrinhos' e ao ver os elefantinhos voando, ela diz:
- olha mãe, parece os 'daquele parque da TV'
e eu [não colaborando em nada] digo:
- só faltaram as princesas, né?
no que ela rebate:
- mas FAZ DE CONTA que essas pessoas que tão aqui são príncipes e princesas!!!
O engraçado é que, quando ela falou isso, por uns segundos senti peninha dela, mas depois que a minha ficha caiu, nós nos divertimos muito, mas muito mesmo! Ela estava feliz por que [assim como nós adultos] as crianças não precisam ir para parques famosos, ter roupas de grifes, carros luxuosos e etc. para ser feliz, só precisam mesmo do básico para sobreviver com dignidade: casa, saúde, educação, pessoas que a amem e algumas brincadeiras. Isso parece tão óbvio e básico, mas infelizmente as discrepâncias socioeconômicas refletem seu formato no mundo infantil - ou seja, ainda existem muitas crianças no mundo que não tem acesso as essas coisas básicas e outras as têm em excesso - o que é tão prejudicial quanto não ter.
Claro que como a maioria das pessoas, eu também adoro comprar algo novo e de qualidade para mim ou para minha casa; gosto de viajar, passear e conhecer lugares novos; gosto do conforto e das facilidades proporcionadas pela tecnologia; e, acima de tudo, entendo que aqui no Brasil carro seguro é carro caro, bairro seguro é bairro caro, serviços em saúde e educação de qualidade são caros... e isso tudo nos levam à um outro nível de luta, não visando somente o bem de consumo em si, mas como uma ferramenta necessária para a sobrevivência.
Contudo, estou tentando estender essa luta não só à nível de conquistas pessoais necessárias à sobrevivência e segurança da minha família; mas também à nível de conquistas sociais, e isso inclui, entre outras coisas, tentar superar a imposição da mídia publicitária sobre nossas necessidades, refletindo, entendendo, divulgando trabalhos e vivências que venham a colaborar nesse processo de conscientização, e especialmente, convidando à todos os pais à participar dessa campanha, colaborando da maneira que lhes seja possível.
Por fim deixo algumas 'dicas possíveis' que estou adotando:
- Quando possível, comprar direto de quem produz [não só brinquedos, mas também roupas, lanches, móveis e etc]
- Incentivar a criança à produzir seus brinquedos [ter em casa sempre material de artes e sucata, ajuda]
- Conversar na escolinha para que os pais evitem que os filhos levem brinquedos "da moda" e passem a valorizar mais brinquedos artesanais [comprados ou feitos pela próprias crianças]
- Utilizar os serviços públicos, sempre que esses sejam equiparados [ou até mesmo um pouco inferior] aos particulares, contanto que isso não acarrete em riscos para à criança.
- Evitar propagandas em geral [usar DVD, mudar o canal e etc].



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