terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O PRIMEIRO DIA DE AULA


O primeiro dia de aula ou a volta às aulas pode acontecer de forma diferenciada para cada criança, pois a reação da criança a esse evento pode ser influenciado por diversos fatores, como por exemplo: sua idade, pelo seu temperamento e/ou pelo nível de socialização e independência dessa criança. Contudo, independente desses fatores, espera-se que ainda no primeiro mês a criança já esteja adaptada ao ambiente escolar. Para tanto é importante que os pais estejam atentos para o seu próprio comportamento.


Muitos pais queixam-se do choro ou zanga dos filhos ao deixá-los na escola, porém não se dão conta das expressões de pena, angustia ou irritação em seus rostos ao executar a árdua tarefa de levá-los à escola. É claro que pode ser frustrante para o pai supor que seu filho não consegue ser "independente" o suficiente para ir para escola sem choros ou pensar que ele não vai se adaptar como as outras crianças. Porém essa insegurança dos pais aparece muito mais como reflexo da cobrança social da 'criança perfeita' do que de um problema real.

O choro ou birra no início ou volta às aulas é, na maioria das vezes, uma reação normal. A criança acostumada a ter uma rotina de cuidados com a presença dos pais ou cuidadores sente medo e/ou desconforto ao perceber a mudança eminente e a única forma que ela tem de expor o que está sentindo é através do choro ou birra - uma vez que ainda não é capaz de expor seus sentimentos verbalmente com eficácia.

Nesse caso é necessário que os pais tentem segurar a ansiedade e insegurança, aceitem que terão que fazer algumas viagens para escola embalados pela melodia dos choros e aproveitem esse momento para demonstrar segurança e ajudar a criança a entender o que ela está sentindo. Mas como demonstrar segurança se muitas vezes os pais não estão seguros do que estão fazendo?

Pensando assim é importante que os pais visitem a escola antes da escolha definitiva observando questões como:

- Primeiros socorros em caso de acidente
- Planos de retirada em caso de incêndio
- Segurança dos brinquedos e da estrutura física geral [sacadas, escadas e etc];
- Vizinhança [terrenos baldios, ruas movimentadas e etc];
- Entrada e saída da escola [retirada da criança da escola de forma segura, como é feita a identificação dos cuidadores que irão retirar a criança];
- Conversar com os professores e equipe pedagógica, pedir informações sobre o projeto pedagógico e rotinas da criança enquanto ela estiver na escola;
- Investigar se os valores que a escola defende são condizentes com os que você deseja passar para a sua família;
- Garantir que a criança terá direito e espaço para brincadeiras e diversão e que o conjunto de atividades proposto pela escola favorece o seu desenvolvimento integral

Todos esses aspectos - e outros que possam estar trazendo alguma insegurança aos pais devem ser investigados à exaustão. Mas, além disso, é bom que os pais também estejam cientes dos motivos que os levaram a colocar a criança na escola. Muitos pais optam por colocar os filhos em creches/escolinhas por que precisam trabalhar ou mesmo por que acreditam que lá pode proporcionar um ambiente que trabalhe a estimulação de forma mais adequada; outros optam por levar o filho para escola para que ele possa conviver mais com outras crianças, para brincar ou porque eles entraram na idade escolar. Enfim, seja qual for o motivo, ele existe e se houve essa necessidade os pais não precisam sentir culpa.

Desse modo, a percepção de que a criança está em um local com bom padrão de segurança, aliada a percepção do ganho educacional que ela terá e livres de uma possível culpa, deixará os pais mais confiantes e aptos a passar segurança para a criança. Então, caso no momento da ida à escola, caso a criança esboce uma atitude negativa, o pai/mãe pode ajudá-la verbalizando o que a criança pode estar sentindo e/ou através de gestos [ carinho, uma linguagem própria da criança e etc]. Por exemplo. existe crianças que sentem, entre outras coisas saudade do cuidador ou medo de ficar longe do pai por muito tempo, mas muitas vezes não sabem o que sentem ou não conseguem expressar através de palavras, então nesse momento o cuidador que estiver conduzindo à escola pode verbalizar seu sentimento dizendo que sabe que ela sente falta do "papai" ou "mamãe" e explicar os motivos da ida à escola [é um lugar onde você vai aprender muitas coisas; vai fazer amigos; estará seguro enquanto o papai e a mamãe trabalha e etc]. Outras crianças imaginam que algo de mau possar acontecer com os pais enquanto elas estão na escola, então nesses casos é bom que o pai/mãe, lhes assegure que vai se cuidar e que logo voltará para pegá-lo.

Aqui vale ressaltar que nos casos de crianças que já passaram por um trauma, [como uma situação de violência urbana], e, ela demonstre que seu medo está associado a esse evento, o ideal é procurar ajuda especializada.

Uma última dica para as crianças que estão indo pela primeira vez à escola, é não alterar de forma brusca suas rotinas de sono [acordar muito mais cedo do que ela costumava, por exemplo], começando a prepará-la nesse sentindo umas duas semanas antes do início das aulas. Outra coisa legal é realizar essa mudança na sua rotina durante o período de férias dos pais [mãe e/ou pai]. Nesse caso, além de poder administrar a mudança de rotinas, o pai/cuidador pode optar por levar a criança no primeiro dia de aula, deixando-a ficar por 1 hora. Nos dias seguintes pode aumentar alguns minutos de acordo com a adaptação da criança até que ela possa ficar o período desejado.

Por fim, é preciso lembrar que nos casos em que a criança permanece relutante durante mais de um mês, é indicado que o pai/mãe procure a equipe pedagógica para checar o que está acontecendo.

Ana Paula Veiga - Psicóloga Infantil - CRP 08/18064
Especialista em Neuropsicologia Infantil - UNICAMP
Mestranda em Psicologia Forense - UTP

www.psicolcare.net

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