O primeiro dia de aula ou a volta às aulas pode acontecer de forma diferenciada para cada criança, pois a reação da criança a esse evento pode ser influenciado por diversos fatores, como por exemplo: sua idade, pelo seu temperamento e/ou pelo nível de socialização e independência dessa criança. Contudo, independente desses fatores, espera-se que ainda no primeiro mês a criança já esteja adaptada ao ambiente escolar. Para tanto é importante que os pais estejam atentos para o seu próprio comportamento.
O choro ou birra no início ou volta às aulas é, na maioria das vezes, uma reação normal. A criança acostumada a ter uma rotina de cuidados com a presença dos pais ou cuidadores sente medo e/ou desconforto ao perceber a mudança eminente e a única forma que ela tem de expor o que está sentindo é através do choro ou birra - uma vez que ainda não é capaz de expor seus sentimentos verbalmente com eficácia.
Nesse caso é necessário que os pais tentem segurar a ansiedade e insegurança, aceitem que terão que fazer algumas viagens para escola embalados pela melodia dos choros e aproveitem esse momento para demonstrar segurança e ajudar a criança a entender o que ela está sentindo. Mas como demonstrar segurança se muitas vezes os pais não estão seguros do que estão fazendo?
Pensando assim é importante que os pais visitem a escola antes da escolha definitiva observando questões como:
- Primeiros socorros em caso de acidente
- Planos de retirada em caso de incêndio
- Segurança dos brinquedos e da estrutura física geral [sacadas, escadas e etc];
- Vizinhança [terrenos baldios, ruas movimentadas e etc];
- Entrada e saída da escola [retirada da criança da escola de forma segura, como é feita a identificação dos cuidadores que irão retirar a criança];
- Conversar com os professores e equipe pedagógica, pedir informações sobre o projeto pedagógico e rotinas da criança enquanto ela estiver na escola;
- Investigar se os valores que a escola defende são condizentes com os que você deseja passar para a sua família;
- Garantir que a criança terá direito e espaço para brincadeiras e diversão e que o conjunto de atividades proposto pela escola favorece o seu desenvolvimento integral
Todos esses aspectos - e outros que possam estar trazendo alguma insegurança aos pais devem ser investigados à exaustão. Mas, além disso, é bom que os pais também estejam cientes dos motivos que os levaram a colocar a criança na escola. Muitos pais optam por colocar os filhos em creches/escolinhas por que precisam trabalhar ou mesmo por que acreditam que lá pode proporcionar um ambiente que trabalhe a estimulação de forma mais adequada; outros optam por levar o filho para escola para que ele possa conviver mais com outras crianças, para brincar ou porque eles entraram na idade escolar. Enfim, seja qual for o motivo, ele existe e se houve essa necessidade os pais não precisam sentir culpa.
Desse modo, a percepção de que a criança está em um local com bom padrão de segurança, aliada a percepção do ganho educacional que ela terá e livres de uma possível culpa, deixará os pais mais confiantes e aptos a passar segurança para a criança. Então, caso no momento da ida à escola, caso a criança esboce uma atitude negativa, o pai/mãe pode ajudá-la verbalizando o que a criança pode estar sentindo e/ou através de gestos [ carinho, uma linguagem própria da criança e etc]. Por exemplo. existe crianças que sentem, entre outras coisas saudade do cuidador ou medo de ficar longe do pai por muito tempo, mas muitas vezes não sabem o que sentem ou não conseguem expressar através de palavras, então nesse momento o cuidador que estiver conduzindo à escola pode verbalizar seu sentimento dizendo que sabe que ela sente falta do "papai" ou "mamãe" e explicar os motivos da ida à escola [é um lugar onde você vai aprender muitas coisas; vai fazer amigos; estará seguro enquanto o papai e a mamãe trabalha e etc]. Outras crianças imaginam que algo de mau possar acontecer com os pais enquanto elas estão na escola, então nesses casos é bom que o pai/mãe, lhes assegure que vai se cuidar e que logo voltará para pegá-lo.
Aqui vale ressaltar que nos casos de crianças que já passaram por um trauma, [como uma situação de violência urbana], e, ela demonstre que seu medo está associado a esse evento, o ideal é procurar ajuda especializada.
Uma última dica para as crianças que estão indo pela primeira vez à escola, é não alterar de forma brusca suas rotinas de sono [acordar muito mais cedo do que ela costumava, por exemplo], começando a prepará-la nesse sentindo umas duas semanas antes do início das aulas. Outra coisa legal é realizar essa mudança na sua rotina durante o período de férias dos pais [mãe e/ou pai]. Nesse caso, além de poder administrar a mudança de rotinas, o pai/cuidador pode optar por levar a criança no primeiro dia de aula, deixando-a ficar por 1 hora. Nos dias seguintes pode aumentar alguns minutos de acordo com a adaptação da criança até que ela possa ficar o período desejado.
Por fim, é preciso lembrar que nos casos em que a criança permanece relutante durante mais de um mês, é indicado que o pai/mãe procure a equipe pedagógica para checar o que está acontecendo.
Ana Paula Veiga - Psicóloga Infantil - CRP 08/18064
Especialista em Neuropsicologia Infantil - UNICAMP
Mestranda em Psicologia Forense - UTP
www.psicolcare.net

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